Diário de um Sonho IX

Juro que não sei mais por que é que eu vivo!
Escrevo porque preciso. Porque me mantém viva. Mas, agora, parece que eu e minha história estamos sobrevivendo. Talvez seja somente um momento ruim.
As pessoas decididamente têm me atormentado. Queria socar a cara de pelo menos uma dúzia de sujeitas que fazem ou fizeram minha vida um inferno. Queria excluir um monte de gente do meu Facebook, mas isso só ia dar mais problemas.
Acho que a lista de Cálculo me deprimiu. De verdade. O Behaviorismo também. Nunca vi nada tão impossível e tão irritante, respectivamente.
Estou no capítulo 14. O sonho tá perto. E tá longe. Todo mundo me diz pra focar na faculdade, mas ela não está me fazendo feliz. Não vejo graça em nada lá. Não neste semestre. Apenas, talvez, nas aulas de Psicologia. Delas, eu gosto. E as de Introdução à Estatística. A professora me faz gostar de aprender isso.
Os dias já não acabam mais e nada do que eu faço me deixa feliz. Ou menos vazia, pra falar a verdade.
Me afastei dos meus colegas da escola e receber notícias deles me enche de amargura. Acho que nunca os perdoei por terem me machucado na oitava série ou no primeiro ano. Não perdoei as duas que me machucaram e nem os três que foram omissos. Os neutros são covardes que ficam do lado supostamente vencedor. Eu era a perdedora. Agora, as coisas mudaram.
Também não me aproximo dos meus colegas de faculdade. Por mais legais que eles sejam, sei lá, não consigo. Essa semana, uma colega de quem muito gosto veio dizer que eu andava muito quietinha. Perguntou se estava acontecendo algo. Quis logo contar tudo, todos os meus projetos em andamento, todos os meus anseios tão próximos e tão distantes, mas, me calei. Disse que era porque eu estava mais calma que antes, só isso.
Só que, não estou calma. Nem nervosa. Nem triste, nem feliz. Só... Insatisfeita, vazia e incomodada.
Eu sei, eu sei. Isso aqui não é "Diário de uma Carência Emocional Profunda", mas isso faz parte de quem sou e de minha jornada. Sentimentos e pensamentos intrínsecos à ela sempre estarão presentes. Caso contrário, nada faria sentido.
Capítulo 14. Retrato uma das poucas personagens que sobreviveu à reformulação da história que escrevi quando tinha 14 anos. Ela é muito querida por mim, me lembra uma amiga que amo. Escrevo sobre ela com zelo, com entusiasmo. Vale a pena.
Acho que só me sentirei melhor quando acabar o livro. Só assim terei paz. Porque, enfim, terei a certeza de que eu POSSO. De que é pra isso que eu nasci e que poderei fazer tudo o que quiser, que poderei alcançar todos os meus sonhos e que estarei escrevendo até ficar beeeem velhinha, com o mesmo amor, o mesmo zelo.
Passei longos 4 ou 5 anos de molho, sem conseguir escrever nada, isso muito me afetou. Me fez um mal danado! Você nem tem noção!
Acho que ser obrigada a interromper meus capítulos para resolver uma lista de Cálculo ou fazer uma resenha de Psicologia é o que me irrita. É ter que parar tudo pra fazer coisas assim, porque tudo o que eu mais gostaria era poder viver disso. Viver com isso.
Todo mundo me diz: Concentre-se na faculdade. Mas... Da última vez, ignorar tudo e me concentrar naquele lugar só me trouxe problemas. Uma série de traumas dos quais ainda não me livrei. Eu finjo que sim, mas, não. Eu não me esqueci da monografia que fiz em grupo. Quatro meses vivendo um inferno!
E na história derramo tudo o que me fez mal. Transformo o veneno que colocaram em minhas veias todos estes anos em bálsamo, em elixir curador. Transformo espinhos em flores. Transformo medo em história. Transformo a imutabilidade do passado nas possibilidades ilimitadas da criação.
E, assim, eu me sinto viva. Posso sobreviver à este semestre. Posso sobreviver àqueles que tanto me irritam e me perturbam. Posso sobreviver à prova de Cálculo desta semana. E à resenha chata de Psicologia.




- Postado por: Tenie F. Shiro às 18h00

[ ]

___________________________________